Sofro de opinião crónica. Felizmente só me acontece uma vez por semana. (Este anacrónico cronista crónico escreve de acordo com um desacordo com o novo acordo ortográfico) SAI AOS DOMINGOS!
05 de Fevereiro de 2012

O objecto de estudo desta crónica é a relação de distâncias entre dois pilares sagrados do organigrama do colectivo humano: A Ciência e a Política.

 

Convém começar por realçar que não sei nada de teoria da Ciência, o que reforça o meu sentido empírico; e não percebo nada de Política, o que faz de mim um especialista.

 

Falar em Ciência Política é o mesmo que dizer agri-doce com prevalência do sabor amargo. Uma contradicção de termos que nem por isso nos traz os deleites das contradicções imanentes a certos requintes culinários.

 

Mais grave, dizer Ciência Política é, por um lado, desprestigiar a Ciência (que, pelo menos em Portugal, já carece exageradamente de prestígio e de meios para se tornar útil) e, por outro, é falsificar a Política para além dos limites do razoável.

 

Importa por isto, de uma vez, separar as águas.

 

Uma das principais distinções entre Ciência e Política é o elemento da prova. A prova, como se sabe, é um dos constituíntes mais críticos do processo científico.

 

Na Ciência, dá-se por meio de uma demonstração complexíssima, baseada em experiências, cálculos, variáveis, estatísticas com raízes quadradas e máquinas de calcular com mais de 15 botões e uma intrincada e cuidadosa comparação de resultados sem efeitos práticos.

 

Já para a Política, a prova é algo completamente distinto:

 

Trata-se de uma demonstração complexíssima, baseada em experiências, cálculos, variáveis, estatísticas com raízes quadradas e máquinas de calcular com mais de 15 botões e uma intrincada e cuidadosa comparação de resultados sem efeitos práticos.

 

A mesma separação radical pode ser observada entre os seus agentes:

 

O cientista é um indivíduo que sabe tudo sem saber nada e diz tudo sem saber nada.

Ao passo que o político é um indivíduo que sabe tudo sem saber nada e diz tudo sem dizer nada.

 

Por outro lado, quando em Ciência se diz «carece de prova», quer-se dizer que a experiência falhou, a demonstração não é fiável e a aceitação por parte da comunidade internacional é impossível.

 

Por oposição à Política em que, quando se diz «carece de prova», quer-se dizer que a experiência falhou, a demonstração não é fiável e a aceitação por parte da comunidade internacional é inevitável.

 

Não podiam ser mais diferentes.

 

Para que não restem dúvidas, observe-se a seguinte equação não falaciosa em forma de silogismo:

 

C (Ciência) => carece de prova = não é científico

P (Política) => carece de prova = honesto

CP (Ciência Política) => carece de prova = não é científico que seja honesto

 

Prova de que a Política não precisa da Ciência para nada: quod erat demonstrandum (q.e.d)

 

Devemos pois ter em mente as particularidades destes dois ramos do saber, para que não incorramos em imprecisões desnecessárias.

 

Como a Ciência e a Política bem sabem, a imprecisão pode ser cruacial para o sucesso de qualquer experiência e o sustentáculo de uma boa prova. Porque mais importante do que a qualidade da experiência é a qualidade do erro. E não há cientista ou político que possa negá-lo.

publicado por Miguel João Ferreira às 13:10

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